Atividade – Distinguir um fato de uma opinião IV

O fim da escrita de mão.

Pois, meu prezadíssimo leitor, estou escrevendo esta crônica à mão. Somente após estar inteiramente escrita e revisada, transcreverei o texto para o meio digital, ou seja, para o processador de texto do computador.

Normalmente, vinha escrevendo quatro ou cinco linhas no papel – a ideia central , e depois corria para o computador.

A razão disso? Continue lendo e logo descobrirá.

Nós que ainda mantemos um leve traço de romantismo estamos indo de mal a pior.

As últimas referências que tínhamos das memórias afetivas caminham para o fim.

A fotocopiadora ou a máquina de Xerox, como todos nós a conhecemos, praticamente se foi. Caso você não lembre ou não saiba, a operação se inicia quando acende uma lâmpada com a função de varrer todo o documento copiado.

A imagem é projetada por meio de lentes e espelhos para a superfície de um tambor fotossensível.

Logo não ficará nem uma cópia da máquina de Xerox para contar a história. O mesmo aconteceu com a velha máquina de escrever e com o aparelho de fax. Há quem diga que o livro físico também está com os dias contados, dando lugar aos e-books ou os livros eletrônicos.

O golpe de misericórdia contra nós, os últimos românticos, é o anúncio da morte da escrita cursiva, em que as palavras são formadas com letras emendadas pelas pontas. Os americanos estão tornando opcional o ensino da escrita de mão. O argumento para a decisão é que a letra cursiva não é mais útil ao computador.

Então é isso: adeus lápis e caneta.

Não demorará muito tempo para o lápis e a caneta caírem no ostracismo. Em algumas dezenas de anos, esses fabulosos instrumentos da escrita à mão só serão encontrados em museus e nas mãos de colecionadores.

Imagine, espantadíssimo leitor, que daqui a alguns anos, quase ninguém mais saberá escrever em uma folha branca de papel, mas tão somente digitar no teclado do computador. […]

Para nós que amamos as canetas quase tanto quanto as nossas mães será uma dor imensa ter que aceitar o abandono do ensino da escrita em cursivo.

Lembra da caneta-tinteiro? Levei surras homéricas para aprender a manejá-la corretamente de forma que não saísse distribuindo borrões no papel. Lembra dos cursos de caligrafia? […]

Nas relações médico-paciente, a velha caneta e o velho papel também sumirão. Nas consultas, o profissional olhará apenas para o teclado e a tela do computador, enquanto o paciente lhe informa o seu histórico da saúde.

É claro que deixei intencionalmente para o epílogo o assunto das cartas. […]

Espero que não me bote a pecha de brega, mas uma boa carta de amor é irresistível, mesmo que o velho Pessoa tenha dito que todas as cartas de amor são ridículas. “Escrevo-te essas mal traçadas linhas, meu amor”…

RESPONDA:

1) Pela leitura da crônica, notamos que o cronista fala de acordo com o seu ponto de vista sobre o hábito de escrever no papel. Podemos dizer que há uma opinião em “Então é isso: adeus lápis e caneta”? Explique.

R. ________________________________________

2) No trecho a seguir, indique os termos que expressam circunstâncias de tempo e lugar. O trecho é um fato ou uma opinião? “Em algumas dezenas de anos, esses fabulosos instrumentos da escrita à mão só serão encontrados em museus e nas mãos de colecionadores.”

R. ________________________________________

GABARITO.

RESPOSTA:

1) Pela leitura da crônica, notamos que o cronista fala de acordo com o seu ponto de vista sobre o hábito de escrever no papel. Podemos dizer que há uma opinião em “Então é isso: adeus lápis e caneta”? Explique.

R. Ele não iria mais escrever de lápis ou caneta e sim pelo computador que seria mais útil.

2) No trecho a seguir, indique os termos que expressam circunstâncias de tempo e lugar. O trecho é um fato ou uma opinião? “Em algumas dezenas de anos, esses fabulosos instrumentos da escrita à mão só serão encontrados em museus e nas mãos de colecionadores.”

R. Ele é um fato.

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